Por Diogo Azoubel
Este é um daqueles filmes que você não esquece por um “bom tempo” (leia-se: durante a saída da sessão). De fato, os efeitos especiais chamam a atenção do público, mas não são suficientes para fazer de "G.I. Joe - A origem de Cobra" uma referência no tratamento dispensado ao roteiro. Não cabe aqui falar do trabalho dos atores, tendo em mente que a construção da narrativa não lhes permite um, digamos, aprofundamento dramático nas cenas. Entretanto, fica a referência ao desempenho de alguns deles em outras produções cinematográficas e televisivas de maior expressividade como crédito.
Para começar, não há orçamento que dê jeito na ausência de uma trama bem amarrada. Sou suspeito para falar. Afinal, não sou um grande apreciador do estilo “bater-e-correr” de alguns blockbusters estadunidenses. O filme é inspirado em bonecos articulados que fizeram sucesso com as crianças nas décadas de 1980 e 90. Mesmo assim, o longa passa longe de toda magia que existia ao redor da série de simpáticos heróis que, posteriormente, viraram tema de quadrinhos, animações e games.
Na produção, orçada em US$ 175 milhões (cerca de R$ 320) pela Paramount Pictures, um grupo militar especial de agentes anônimos luta para livrar as cidades de Paris, Washington, Pequim e Moscou da completa destruição. De posse de uma tecnologia agressiva e muito “no sense”, os vilões não abrem mão dos clichês e do didatismo típicos de uma produção inteiramente comercial. Sobre a direção de áudio, é interessante perceber que o dinheiro reservado a edição foi gasto de maneira correta: nem mais nem menos que o esperado.
Os erros de continuidade são comuns durante todo desenrolar da narrativa. São erros primários que vão desde óculos que aparece cena sim, cena não na mesma sequência no rosto da Baronesa às mudanças de figurino inexplicáveis e irresponsáveis que confundem o público. Tudo é muito óbvio. Não precisa ser gênio para descobrir os planos da “turma do mal” logo nos primeiros 15 minutos. Basta desviar um pouco a atenção da pipoca e do refrigerante que, neste caso, são ótimas companhias.
Os figurinos agradam, mas, com exceção das armaduras tecnológicas e ofuscantes (nada discretas para quem quer passar despercebido), parecem ter sido jogados ao acaso, escolhidos não para compor o quadro geral da trama, e sim para deixar os personagens mais “descolados”. Dennis Quaid, Channing Tatum, Sienna Miller, Marlon Wayans e Joseph Gordon-Levitt se esforçam, mas não sustentam o filme. Até o fetichismo do combate entre a vilã-psicopata-do-andar-estranho e a mocinha-loira-sensual-nerd perde a graça pelos inúmeros cortes.
Os conflitos existências de personagens, as crises de consciência e a dissimulação capitalista são chatos. Não há novidades. As quebras temporais desnecessárias e as alusões ao final feliz dos contos de fadas é muito “água com açúcar”. No mais, se você estiver com algum compromisso antes ou depois da hora marcada para ver o filme, não se acanhe: saia antes de perceber os créditos finais na tela do cinema ou chegue atrasado sem remorsos. Você não perde nada que não possa ser resumido em duas frases.
Agora se você é daqueles que procuram aventuras e efeitos especiais de ponta, esteja certo: "G.I. Joe - A origem de Cobra" é mais do que bom... é ótimo. Vale ser visto pelo histórico do diretor Stephen Sommers (de "A múmia" e "Van Helsing"), pelas alegorias ao comportamento volúvel dos financiadores da guerra no Mundo e, sobretudo, pelas locações européias. Por outro lado, o longa deve ser evitado pela alusão ao uso da força e de armas para manutenção da ordem, pela referência à pseudo-soberania dos Estados Unidos diante do Mundo e pelas cenas em que milhares de inocentes morrem enquanto a “turma do bem” tenta salvar cidades ícone.
Campanha
Apesar de ter evitado o “olhar” dos críticos antes do lançamento oficial, os produtores do filme conseguiram arrecadar boas quantias em bilheteria. Os números não param de crescer e isso prova que a maioria das pessoas não dá a mínima para o que os outros falam sobre os filmes que devem (e por que devem, em alguns casos) ou não ser vistos. Este movimento “pago pra ver” mantém a “arte” (não me cabe discutir o mérito da questão aqui) democrática, onde os resultados de processos criativos variados são colocados à disposição do público, que decide por si só se deve consumi-los ou não.
(Obs.): Alguém me explica: CADÊ O SANGUE DESTE FILME? Liguem para o Tarantino, para o Eli Roth, para qualquer um que consiga usar melhor a “groselha”.
Ficha Técnica
Diretor: Stephen Sommers
Elenco: Channing Tatum, Arnold Vosloo, Sienna Miller, Ray Park, Rachel Nichols, Adewale Akinnuoye Agbaje, Said Taghmaoui, Marlon Wayans, Joseph Gordon-Levitt, Dennis Quaid, Christopher Eccleston, Karolina Kurkova.
Produção: David Womark, Brian Goldner
Roteiro: Stuart Beattie, David Elliot, Paul Lovett, baseado nos quadrinhos de Michael Gordon
Fotografia: Mitchell Amundsen
Trilha Sonora: Alan Silvestri
Distribuidora: Paramount Pictures Brasil
Classificação: 14 anos
















